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Índios Xavante e Bororo vão participar de homenagem a Rondon
Cuiabá / Várzea Grande, 24/04/2009 - 10:49.

da Assessoria

No dia 05 de maio a Assembléia Legislativa vai lembrar o Dia das Comunicações com a realização de uma sessão solene. A data foi escolhida em homenagem a Cândido Mariano da Silva, ou simplesmente, Marechal Rondon. Descendente dos índios Terena, Bororo e Guaná, Rondon nasceu na comunidade de Mimoso, pertencente ao município de Santo Antônio do Leverger, em 05 de maio de 1865, e é considerado um dos mais ilustres mato-grossenses. Para garantir a participação de representantes indígenas na solenidade, o cacique Alexandre Tsereptsé, da aldeia Sangradouro, localizada no município de General Carneiro, reuniu-se nesta quinta-feira (23) com o 1º Vice-presidente da Assembléia Legislativa, deputado estadual Mauro Savi (PR).

O cacique Xavante e demais representantes da etnia solicitaram apoio para que 20 representantes dos Xavante e 15 da etnia Bororo, da área indígena Tereza Cristina, do município de Santo Antônio do Leverger, participem da Sessão Solene. Na ocasião eles farão apresentações de danças indígenas e também terão direito a falas.

Para isso, os índios solicitaram apoio para hospedagem e alimentação, uma vez que o transporte será garantido pelas respectivas prefeituras municipais. O deputado Mauro Savi garantiu que a buscará o apoio da Assembléia para assegurar a participação efetiva dos índios no evento.

Além do apoio para o evento, o cacique Alexandre também solicitou a ajuda do deputado Mauro Savi para o envio de remédios à aldeia. Com 1640 habitantes, a comunidade vem registrando alta incidência de febre, vômito, diarréia e tosse, tanto entre adultos quanto em crianças. “Vamos solicitar a Secretaria de Estado de Saúde informações sobre o envio de remédios à aldeia e a possível liberação de um pacote emergencial”, declarou o parlamentar.

Breve relato da vida de Marechal Cândido Rondon Cândido Mariano licenciou-se como professor primário pelo Liceu Cuiabano, de Cuiabá. Em 1881, entrou para o Exército e dois anos depois para a Escola Militar da Praia Vermelha (RJ). Em 1886 ele foi encaminhado à Escola Superior de Guerra e assumiu um papel ativo no movimento pela proclamação da República. Graduou-se como bacharel em Matemática e em Ciências Físicas e Naturais.

Em 1889, Cândido Mariano foi nomeado ajudante da Comissão de Construção das Linhas Telegráficas de Cuiabá a Registro do Araguaia. Em 1982, assumiu a chefia do distrito telegráfico de Mato Grosso. Desde então, chefiou várias comissões para instalar linhas telegráficas no interior do Brasil, que ficou conhecida como Comissão Rondon.

Se destacou pela instalação de milhares de quilômetros de linhas telegráficas interligando as linhas já existentes no Rio de Janeiro, São Paulo e Triângulo Mineiro com os pontos mais distantes do País. Ao mesmo tempo, Rondon fez levantamentos cartográficos, topográficos, zoológicos, botânicos, etnográficos e lingüísticos da região percorrida nos trabalhos de construção das linhas telegráficas. Registrou novos rios, corrigiu o traçado de outros no mapa brasileiro e ainda entrou em contato com numerosas sociedades indígenas, sempre de forma pacífica.

A repercussão da sua obra indigenista lhe rendeu o cargo de primeiro diretor do Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais (SPI), criado em 1910. Nesta função, comandou e traçou o roteiro da expedição que o ex-presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, Prêmio Nobel da Paz em 1906, realizou pelo interior brasileiro entre 1913 e 1914, a Expedição Roosevelt-Rondon.

Também publicou o livro Índios do Brasil, em três volumes, editado pelo Ministério da Agricultura. Incansável defensor dos povos indígenas do Brasil, ficou famosa a sua frase: "Morrer, se preciso for; matar, nunca."

Entre 1919 e 1925, foi diretor de Engenharia do Exército e chegou a general-de-brigada em 1919 e a general-de-divisão em 1923.

Chefiou a Inspeção de Fronteiras foi criada em 1927, quando percorreu milhares de quilômetros, do extremo norte do País ao Rio Grande do Sul, a fim de inspecionar pessoalmente as fronteiras. Em 1940, foi nomeado presidente do Conselho Nacional de Proteção aos Índios (CNPI) e em 1952 encaminhou ao presidente da República o Projeto de Lei de criação do Parque Indígena do Xingu.

Em 1955, o Congresso Nacional conferiu-lhe a patente de marechal. Já cego, faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1958, com quase 93 anos.

Ao longo de sua vida e postumamente, pelo conjunto de sua obra, Rondon recebeu as maiores condecorações civis e militares, brasileiras e estrangeiras, entre elas o Prêmio Livingstone, da Sociedade Geográfica de Nova York/EUA; a inscrição de seu nome em letras de ouro, na mesma Sociedade, por ter sido considerado o explorador que mais se destacou em terras tropicais; a indicação de 15 países para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz, em 1957; a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar; os títulos de "Civilizador dos Sertões" e "Patrono das Comunicações no Brasil".


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