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Frigorífico causa desastre ambiental em rio de Mato Grosso
Cuiabá / Várzea Grande, 15/11/2008 - 11:40.

G1

Arraias, cascudos, matrinxãs, pacus e dezenas de ouras espécies de animais aquáticos de um trecho do rio Areões, de Nova Xavantina (MT), morreram na última semana por causa da poluição das águas causada por um frigorífico da região. A denúncia foi feita por e-mail ao Globo Amazônia pela internauta Beatriz Kemerich, cujos pais moram na região, e também foi checada em campo por fiscais do Ibama, que verificaram o crime ambiental.

O problema começou na última sexta-feira (7), quando fazendeiros das margens do Rio Areões perceberam que centenas de peixes mortos começaram a aparecer boiando na água. Eles acionaram técnicos da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), que analisaram a água e verificaram o baixo índice de oxigênio.

Nesta quarta-feira (12), fiscais do Ibama foram ao local e descobriram que a poluição havia sido causada por resíduos lançados pelo Frigorífico Independência, que fica nas margens de um afluente do Areões. A empresa foi interditada e multada em R$ 2 milhões.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o frigorífico informou que uma equipe técnica está no local realizando análises. A empresa diz que só se pronunciará sobre o caso após a conclusão desses estudos.

De acordo com Nilton Padovan, promotor do Ministério Público Estadual de Mato Grosso que investiga o caso, esta já é a terceira vez em que peixes morreram por causa de dejetos lançados pelo frigorífico. “Esta última foi a mais grave”, informa. Segundo o promotor, a análise da água comprova que a mortandade começou logo após o ponto em que o córrego proveniente do frigorífico deságua no Areões.

Por temer que novos acidentes aconteçam, o promotor estuda a possibilidade de entrar com uma ação civil pública pedindo a interdição judicial da empresa. “[Se isso acontecer, o frigorífico] ficaria interditado até que eles mostrassem que estão em condições de operar sem interferir no meio ambiente”, afirma.

Falta de oxigênio

Os estudos feitos nos laboratórios da Unemat mostram que a quantidade de oxigênio dissolvido na água estaria cerca de 20 vezes inferior ao padrão esperado. “Estava com 0,34 mg/litro, quando deve ser entre 5 a 8”, informa João Lima Filho, bolsista do laboratório de Ictiologia e Liminologia da universidade. “Temos toneladas de peixes mortos em uma grande extensão do rio Areões. A mortandade atingiu desde pequenos lambaris até pintados de um metro de tamanho”, relata.


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