Da Assessoria
Laudo assinado pelo engenheiro mecânico e de segurança, Durval Bertolelo, que comandou a perícia no GM Vectra placas KAE 0467 modelo 1999, incendiado depois de uma explosão, próximo a Barra do Garças, em agosto do mesmo ano, aponta falha no sistema de bomba de combustível do carro.
”A explosão foi causada pelo acúmulo de gases e vapores desprendidos do sistema de bomba de combustível e o fogo teria começado na parte interna do veículo”, aponta. A bomba de combustível (gasolina), Vectra, como de vários outros modelos de carros, fica debaixo do banco de trás, protegida apenas por uma tampa de metal. A perícia entende que foi ai o estopim de tudo.
Morreram carbonizados no desastre o motorista Antônio Salvino Pedemonte de Araújo (49), os pais dele, Heronides de Aquino Araújo (89) e Ítala Pedemonte Araújo (86), além da enfermeira Maria Dometila Gusmão (57), que cuidava de Heronides.
Com base no laudo e na argumentação dos advogados das famílias das vítimas, a Justiça de Mato Grosso, através de sentença da juíza Amini Haddad Campos, da 9ª Vara determinou, esta semana, que a General Motors do Brasil (GM) e a ACE Seguradoras S/A paguem indenização por danos morais, de R$ 6 milhões, aos familiares.
De acordo com o processo, as vítimas viajavam de Cuiabá para Barra do Garças, quando, a cerca de 80 km do destino, houve a explosão. O veículo tinha apenas sete meses de uso e estava em período de garantia.
A fabricante do veículo defende a tese de que a explosão tenha ocorrido por causa de um choque contra uma campana (peça que envolve a roda) de caminhão, ocasionando o acidente, tese que a perícia descartou.
“Se fosse o caso teria que haver dano, ocasionado ao tanque pela parte externa ou no cano de descarga, além de haver algum tipo de rastro no asfalto, o que a perícia mostra que não existe”, diz a advogada das vítimas Maria Margareth de Paiva.
A GM, por meio de seus advogados em Mato Grosso, afirma no processo que não havia vícios ou defeitos no veículo que pudessem ocasionar a explosão e que o mesmo estava em plena regularidade.
A TRAGÉDIA: O Vectra dirigido por Antônio Salvino Pedemonte de Araújo partiu de Cuiabá por volta das 7h com destino a Barra do Garças. Após uma parada em Primavera do Leste, Edda Pedemonte Araújo, que também estava no carro e, no intuito de gerar mais conforto para os idosos, passou a seguir viagem num segundo carro da família. Ela só não sabia que estava, na verdade, escapando da morte.
Enquanto arrumava as bagagens no segundo carro, o Vectra partiu abrindo, segundo ela, cerca de 15 minutos de dianteira. Pouco antes de Barra do Garças, cerca de 80 km, o carro explodiu e se incendiou. O motorista, com o corpo em chamas, teria se jogado do carro em movimento, pois o corpo foi encontrado a cerca de 50 metros do Vectra.
A mãe dele, Ítala Pedemonte, também chegou a sair do carro, depois de parado, mas já era tarde e morreu carbonizada na pista. Os outros dois ocupantes foram encontrados carbonizados dentro do carro, que ficou completamente destruído. Edda Pedemonte, que ficou no segundo carro, segundo os autos do processo, ainda teria presenciado as cenas de terror. Segundo Heronides Filho, Edda é dependente de medicamentos para dormir. "Ela não superou o fato e vive à base de antidepressivos", diz.
Para a advogada da família, mais que uma indenização, a decisão da justiça tem caráter inibidor. “Com sentenças assim as empresas, e esta em especial, vão procurar desenvolver mecanismos que evitem este tipo de tragédia”, diz.
A empresa ainda pode recorrer da sentença, mas o advogado que representa a GM em Mato Grosso, Oswaldo Pereira Cardoso Filho, por meio de sua assessoria, disse que não daria informação alguma sobre o andamento do processo e não quis informar que medidas serão tomadas.
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