Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou nesta segunda-feira os países europeus pela falta de um acordo com metas mais ousadas na cúpula do clima de Copenhague. Segundo Lula, a União Europeia se escondeu atrás de uma possível proposta norte-americana para que o protocolo de Kyoto não fosse cumprido.
O presidente disse que pensou em abandonar a conferência, mas esperou pelo posicionamento do governo norte-americano. Apesar das críticas, Lula disse que o quase-acordo foi o melhor resultado possível e que aguarda que na conferência no México, as metas sejam mais claras.
"Não havia a possibilidade de acordo porque os europeus estavam querendo se utilizar dos Estados Unidos, que não são signatários do protocolo de Kyoto, para descumprir o acordo. As pessoas estavam reféns da posição americana que o Congresso ainda não tinha aprovado. [...] Mas terminamos melhor do que imaginado na véspera", disse.
Lula criticou a proposta de financiamento contra o aquecimento global oferecida pelos países ricos. O presidente disse que US$ 10 bilhões por ano não representam um favor.
"Quando vemos que os países ricos estão dispostos a dar R$10 bilhões até 2020, pensamos que é muito, se for calcular dá menos de R$330 milhões para cada um. E os países ricos achavam que estavam fazendo um gesto magnânimo aos pobres. Queremos que os governos assumam a responsabilidade de dar dinheiro com o aval do tesouro. Se o mercado quiser contribuir é lucro", disse.
A 15ª Conferência da Mudança do Clima da ONU (COP-15), que terminou nesta sexta-feira (18), em Copenhague, sem alcançar um acordo que obrigue os países a cumprirem metas de redução de gases.
O objetivo do encontro era fechar um acordo para suceder o Protocolo de Kyoto, que foi assinado em 1997 e regula as emissões de gases do efeito estufa para 37 países industrializados, e cuja primeira parte expira em 2012.