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Artigo do Dia

Ferrovias e nova divisão de MT
16/08/2012
Onofre Ribeiro
  

O arquiteto José Antonio Lemos acabou de escrever um artigo a respeito do possível isolamento de Cuiabá em termos de logística.

Ele fez uma série de anotações absolutamente corretas. Colocou a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste - Fico, que ligará Campinorte (Goiás), a Lucas do Rio Verde (Mato Grosso), a Vilhena (Rondônia), numa extensão de 900 quilômetros.

Começa aqui o raciocínio de José Antonio Lemos. Passando 354 km ao norte de Cuiabá, a ferrovia de integração do Centro-Oeste deixaria de integrar a capital do estado, curiosamente no Centro Geodésico do continente e conexão com o sul do estado.

Quer dizer: toda a orientação de logística do médio-norte de Mato Grosso se orientaria para Santarém, ou para Goiás, onde se integraria com a Ferrovia Norte-Sul e outras.

Para Santarém poderia ser pela BR-163 e depois alcançar os portos de Miritituba, de Santarém ou de Santana,mais ao norte, sem contar a possibilidade futura de uma ferrovia, na qual os chineses estão de olho, de Lucas do Rio Verde até Santarém.

Então, qual é a lógica? Isolar Cuiabá! De que forma? A Ferronorte deve morrer em Rondonópolis, porque faz parte dessa conspiração. Com isso, Mato Grosso teria 3 orientações de logística: pela Fico, nas direções leste e oeste e, lá na Norte-Sul, com a Ferrovias de Carajás até portos do Maranhão. Pela Ferronorte, com o Sul e Sudeste.

Traduzido, isso mostra uma clara proposta de nova divisão de Mato Grosso, desta vez motivada por fatores econômicos. Essa é a realidade posta na mesa.

Mas, cabe aqui uma reflexãohistórica. Os militares que governaram o Brasil entre 1964 e 1985, implantaram a divisão de Mato Grosso criando Mato Grosso do Sul, baseados em estudos nascidos na Escola Superior de Guerra e amplamente diluídos dentro de ministérios como o de Interior, de Transportes, da Fazenda e de Planejamento, e nos seus desdobramentos de autarquias como a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste - Sudeco, por exemplo.

Havia um planejamento que terminava no Ministério do Planejamento e Coordenação Geral, que era o guardachuva centralizador de todos os projetos e programas do governo. O país possuía um planejamento macro, a partir do qual se desdobrava a gestão.

Hoje, o Ministério do Planejamento só cuida do orçamento e o governo do país não tem um planejamento guarda-chuva. Cada ministério é uma pequena república independente, gastadeira, politizada e de propriedade de partidos políticos que comercializam verbas, poder e interesses diversos.

Não existe um país previsível. É por isso que falar em ferrovias no Estado de Mato Grosso, significa mexer numa bomba atômica.

As coisas estão acontecendo sem planejamento de nenhuma espécie, o governo estadual não tem força de articulação para interferir e nem para compreender todo o processo.

O Estado de Mato Grosso será fatiado geográfica economicamente através da logística, com gravíssimas consequências futuras, muito maiores do que isolar Cuiabá, sem nenhum planejamento.

As forças políticas e econômicas interessadas se movem sozinhas e por conta própria, ao sabor de sua própria lógica.

Chineses, o agronegócio, a Valec com seus interesses em minério de ferro e outros não confessos, estão fatiando Mato Grosso por sua conta e risco, sem planejamento algum além da ambição econômica.

Quem pagará a conta humana, econômica, cultura e geoestratégica no futuro? Quem?

 
 
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