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Artigo do Dia

Energia limpa, o planeta agradece
05/01/2010
Lício Antônio Malheiros
  

Com todo processo tecnológico em curso, à busca da produção de energia limpa. Nosso Estado, mais uma vez da um salto de qualidade, aderindo ao modelo energético conhecido como Biogás, é o gás metano de origem biológica processada através do Biodigestor. Este processo além de extremamente rentável, busca minimizar o lançamento de gases na atmosfera. Desta forma, diminuindo o chamado efeito estufa. A utilização da biomassa residual, proveniente dos dejetos produzidos pelos animais, principalmente pelos suínos, caso especifico do nosso Estado, visa diminuir a emissão de poluentes.

Voltando a um passado não muito distante, a criação de porcos era extremamente artesanal. Naquela época, era prática comum, a chamada produção de subsistência, as famílias criavam alguns porcos, hoje chamados de suínos, como forma de alimentar apenas e tão somente suas famílias. Portanto a criação de suínos era feita, de forma rudimentar, em chiqueiros de madeira instalados diretamente no solo, formando um verdadeiro lamaçal. Nesse período, não havia uma preocupação maior com a destinação ou eliminação, dos dejetos produzidos pelos mesmos. Na visão deles, por criarem um número reduzido de animais, tais dejetos não representaria poluição ambiental.

Nos dias atuais a coisa muda de figura. A busca incessante, para conseguir produção de energia limpa, tem levado muitos produtores rurais a adotarem o uso de tecnologias de ponta. Visando aproveitar, os dejetos fecais produzidos pelos suínos, estes, antes eram jogados “in natura” a céu aberto. Tais ações desencadearam uma série de problemas ambientais. Uma vez que parte desses dejetos era, levado para rios e riachos, enquanto outra parte era depositada diretamente no lençol freático, comprometendo a qualidade da água.

Segundo estudiosos estima-se que o volume desses dejetos chegue a 900 milhões de toneladas por ano no Brasil, deste total, 188 milhões correspondem ao esterco de animais. Daí a importância, de se buscar alternativas viáveis, que possam minimizar essa agressão ambiental, através da utilização desses efluentes, como forma de produção de energia, a partir da utilização de novas tecnologias.

Uma das saídas encontradas, para redução da poluição ambiental, se dá a partir do aproveitamento desses dejetos, com a utilização do chamado Biodigestor. Em linhas gerais, o seu funcionamento acontece da seguinte forma, existe uma câmara fechada onde os resíduos orgânicos são fermentados anaerobicamente (sem a presença de oxigênio) transformando essa biomassa em gás combustível e fertilizante.

Vale ressaltar que nesse processo de produção, existe outro fator importantíssimo para o homem. Na produção do biogás, é possível produzir, simultaneamente, não apenas energia elétrica, mas também energia térmica na forma de água e ar quente, oriunda do calor gerado pelo processo de combustão, em motores e geradores convertidos a biogás. Desta forma amplia-se o leque de utilização desta fonte energética, para alimentar fogões, aquecimento de água, motores, lampiões e em geladeiras a gás, desta forma se tornando uma das fontes energéticas econômicas e de fácil aquisição.

Outra questão emblemática, com relação a esse tipo de produção de energia, diz respeito à comercialização de créditos de carbono. Do jeito que está sendo delineado nos dias atuais, seria muito mais difícil a disponibilização desses créditos a pequenos e médios empreendimentos suinículas. Os maiores favorecidos por certo, seriam os grandes produtores de suínos, os quais dispõem de uma grande quantidade de dejetos economicamente viável para se fazer o investimento, visando à venda de créditos.

Obviamente o primeiro passo já foi dado, cidades de Mato Grosso já estão produzindo energia a partir da biomassa proveniente do esterco de porcos, diga-se de passagem, com relevante sucesso, aliviando sobre maneira a atmosfera.

Segundo dados obtidos, se todo o esterco animal do país se transformasse em energia limpa, com certeza deixaríamos de lançar na atmosfera o equivalente a 71,3 milhões de toneladas de CO². Comparativamente falando, isto representaria aproximadamente um terço do que o desmatamento da Amazônia gera atualmente em gases do efeito estufa, daí a importância do aproveitamento desses dejetos, que muitas vezes são lançados de forma inadequada, colocando em risco a sobrevivência do planeta. Desenvolvimento sim, porém de forma sustentável.

 
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